Um
dos principais desafios da educação é desenvolver nos educandos a criticidade,
a criatividade e ética, tornando-os autores conscientes de sua história pessoal
e da coletividade, levando-as a compreender e transformar o mundo a sua volta.
A
matemática é uma atividade social e, por isso, a matemática escolar não pode
ser desvinculada do contexto sociocultural no qual estamos inseridos, cabendo
ao professor resignificar o seu ensino através da mediação entre o conteúdo e
as vivências cotidianas.
A
possibilidade de contextualizar a matemática com o cotidiano do aluno é real.
Tão real quanto o sentido que a disciplina terá para o mesmo, facilitando e
priorizando a construção de conhecimento. Essa possibilidade serviu de eixo
norteador e motivador.
A
matemática da sala de aula e a do cotidiano necessita caminhar lado a lado para
terem significação tanto para o professor quanto para o aluno. Muitos de nós,
professores, somos frutos do ensino matemático tradicional centrado no
quadro-giz e ainda possuímos certas dificuldades e medos em compreender e dar
significação a alguns currículos matemáticos nas nossas vivências como
profissionais da educação.
Os
alunos trazem á escola conhecimentos matemáticos espontâneos, reais,
construídos nas vivencias com o grupo sociocultural do qual fazem parte.
Possuem para matematizar o que aprenderam de acordo com as situações vividas.
No
momento em que o aluno chega á escola, todo o passado, a bagagem de
conhecimentos que já possui, deve ser respeitada e ser o ponto de partida para
a ampliação destes conhecimentos. Ao perceber que seu conhecimento e origem
sociocultural são aceitos e valorizados pelo professor, o aluno sente-se mais
seguro e confiante em relação ao conhecimento e á escola em si, sem contar que
estabelece uma relação, um vinculo, um elo de proximidade entre a escola e a
vida da criança. Portanto, é preciso contextualizar o ensino de matemática,
fazendo com que o aluno entenda o significado do que faz, e oportunizar meios
para que perceba, na pratica, a aplicação do que aprende na escola.
O
ensino de matemática que parte do conhecimento de que o aluno dispõe possibilita
ao mesmo conhecer e investigar com mais profundidade e amplitude os
conhecimentos que fazem parte da realidade que o cerca. A construção de
conhecimentos matemáticos não deve ser o simples repasse de informações
contidas nos livros didáticos ou que o professor domine. O professor deve ser o
grande provocador na escola: provocador de experiências ricas de aprendizagem
que se relacionam com o mundo. Assim a matemática ensinada na escola precisa
ter um enfoque mais interligado a situações do cotidiano dos alunos.
Quando
é feito um elo entre os conteúdos da escola e as experiências que fazem parte
da vida do aluno, o mesmo demonstra mais interesse e motivação. Conhecer o
contexto de vida dos alunos é, portanto, uma referencia primeira e fundamental
para o planejamento das aulas por parte do professor.
Compactuando
com ideias do grande mestre Paulo Freire, entendemos que o professor não é
aquele que apenas ensina, mas aquele que através do dialogo oportuniza a troca
de conhecimentos e, então, professor e aluno se educam, tornando-se sujeitos do
processo ensino aprendizagem.
O
uso de situações do dia-a-dia em atividades matemáticas na escola é importante
porque os alunos constroem conceitos matemáticos a partir de suas experiências
da vida real e não de livros prontos, acabamos, escritos por autores que nem
sempre associam a matemática escolar com a vida real. Isto por que: “Se
queremos alunos mentalmente ativos durante a aula, devemos encorajá-los a
relacionar fatos e estar alertas e curiosos durante todo o dia”. Precisamos
fazer a escola uma intermediadora entre os conteúdos matemáticos e o uso deles
nas atividades do cotidiano.
Os
alunos constroem seu conhecimento matemático significativo a partir de sua
vivência e experiência, manuseando materiais diversificados, usando todos os
sentidos. É importante ao aluno compreender e interpretar os saberes
construídos na escola, relacionando-os e utilizando-os na sua vivência
extra-escolar, pois, do contrario será uma saber inútil e obsoleto.
A
atual situação da sociedade exige uma formação critica de indivíduos,
relacionada á política e aos problemas sócio-culturais, diferente do pensamento
tradicional de formação de alunos no antigo 2°grau (ensino médio), denominado
“preparação para o trabalho” existente há alguns anos. Uma formação com ênfase
na preparação para o trabalho não necessita de tomadas de decisões e
posicionamentos críticos, limitando o espaço para um conhecimento reflexivo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário