quinta-feira, 26 de abril de 2012

Refletindo sobre esse assunto


Um dos principais desafios da educação é desenvolver nos educandos a criticidade, a criatividade e ética, tornando-os autores conscientes de sua história pessoal e da coletividade, levando-as a compreender e transformar o mundo a sua volta.
A matemática é uma atividade social e, por isso, a matemática escolar não pode ser desvinculada do contexto sociocultural no qual estamos inseridos, cabendo ao professor resignificar o seu ensino através da mediação entre o conteúdo e as vivências cotidianas. 
A possibilidade de contextualizar a matemática com o cotidiano do aluno é real. Tão real quanto o sentido que a disciplina terá para o mesmo, facilitando e priorizando a construção de conhecimento. Essa possibilidade serviu de eixo norteador e motivador.
A matemática da sala de aula e a do cotidiano necessita caminhar lado a lado para terem significação tanto para o professor quanto para o aluno. Muitos de nós, professores, somos frutos do ensino matemático tradicional centrado no quadro-giz e ainda possuímos certas dificuldades e medos em compreender e dar significação a alguns currículos matemáticos nas nossas vivências como profissionais da educação.
Os alunos trazem á escola conhecimentos matemáticos espontâneos, reais, construídos nas vivencias com o grupo sociocultural do qual fazem parte. Possuem para matematizar o que aprenderam de acordo com as situações vividas.
No momento em que o aluno chega á escola, todo o passado, a bagagem de conhecimentos que já possui, deve ser respeitada e ser o ponto de partida para a ampliação destes conhecimentos. Ao perceber que seu conhecimento e origem sociocultural são aceitos e valorizados pelo professor, o aluno sente-se mais seguro e confiante em relação ao conhecimento e á escola em si, sem contar que estabelece uma relação, um vinculo, um elo de proximidade entre a escola e a vida da criança. Portanto, é preciso contextualizar o ensino de matemática, fazendo com que o aluno entenda o significado do que faz, e oportunizar meios para que perceba, na pratica, a aplicação do que aprende na escola.
O ensino de matemática que parte do conhecimento de que o aluno dispõe possibilita ao mesmo conhecer e investigar com mais profundidade e amplitude os conhecimentos que fazem parte da realidade que o cerca. A construção de conhecimentos matemáticos não deve ser o simples repasse de informações contidas nos livros didáticos ou que o professor domine. O professor deve ser o grande provocador na escola: provocador de experiências ricas de aprendizagem que se relacionam com o mundo. Assim a matemática ensinada na escola precisa ter um enfoque mais interligado a situações do cotidiano dos alunos.
Quando é feito um elo entre os conteúdos da escola e as experiências que fazem parte da vida do aluno, o mesmo demonstra mais interesse e motivação. Conhecer o contexto de vida dos alunos é, portanto, uma referencia primeira e fundamental para o planejamento das aulas por parte do professor.
Compactuando com ideias do grande mestre Paulo Freire, entendemos que o professor não é aquele que apenas ensina, mas aquele que através do dialogo oportuniza a troca de conhecimentos e, então, professor e aluno se educam, tornando-se sujeitos do processo ensino aprendizagem.
O uso de situações do dia-a-dia em atividades matemáticas na escola é importante porque os alunos constroem conceitos matemáticos a partir de suas experiências da vida real e não de livros prontos, acabamos, escritos por autores que nem sempre associam a matemática escolar com a vida real. Isto por que: “Se queremos alunos mentalmente ativos durante a aula, devemos encorajá-los a relacionar fatos e estar alertas e curiosos durante todo o dia”. Precisamos fazer a escola uma intermediadora entre os conteúdos matemáticos e o uso deles nas atividades do cotidiano.
Os alunos constroem seu conhecimento matemático significativo a partir de sua vivência e experiência, manuseando materiais diversificados, usando todos os sentidos. É importante ao aluno compreender e interpretar os saberes construídos na escola, relacionando-os e utilizando-os na sua vivência extra-escolar, pois, do contrario será uma saber inútil e obsoleto.
A atual situação da sociedade exige uma formação critica de indivíduos, relacionada á política e aos problemas sócio-culturais, diferente do pensamento tradicional de formação de alunos no antigo 2°grau (ensino médio), denominado “preparação para o trabalho” existente há alguns anos. Uma formação com ênfase na preparação para o trabalho não necessita de tomadas de decisões e posicionamentos críticos, limitando o espaço para um conhecimento reflexivo.


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